Opinião: Contracorpo de Patrícia Reis

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P.V.P.: 13,41 €
Data de Edição: 2013
Nº de Páginas: 216
Editora: Dom Quixote

Sobre a obra:
Uma mulher fica viúva com dois filhos. Alguns anos depois da morte do marido, a vida não se refez e o filho mais velho, agora adolescente, cresce contra a mãe, num silêncio obstinado que só quebra nas histórias que se conta para adormecer e nos desenhos que faz de forma compulsiva. Com o anúncio do chumbo escolar, a mãe decide, sem grandes reflexões, fazer uma viagem com este filho, deixando o pequeno com os avós. Não se trata de uma viagem com destino, mas antes uma procura.

Contracorpo é um livro contra o silêncio e sobre o silêncio. É uma história de procura de identidades distintas - da mulher e do quase homem - e ainda de descobertas. Uma mãe nunca é o que se espera. Um filho é sempre uma surpresa. O encontro dá-se enquanto procuram caminhos, de Lisboa a Roma, num jogo de claro escuro. Como se tudo fosse uma imagem.

Ler Excerto
Sobre autor:
Patrícia Reis nasceu em 1970, começou a sua carreira jornalística em 1988 no semanário O Independente, passou pela revista Sábado e realizou um estágio na revista norte-americana Time, em Nova Iorque. De volta a Portugal, é convidada para o semanário Expresso, fez a produção do programa de televisão Sexualidades , trabalhou na revista Marie Claire, na Elle e nos projectos especiais do diário Público. Editora da revista Egoísta, é sócia do atelier de design e texto 004, participando em projectos de natureza muito variada. Escreveu a curta biografia de Vasco Santana e o romance fotográfico Beija-me (2006), em co-autoria com João Vilhena, a novela Cruz das Almas (2004) e os romances Amor em Segunda Mão (2006), Morder-te o Coração (2007), que integrou a lista de 50 livros finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura, No Silêncio de Deus (2008) e Antes de Ser Feliz (2009).
Imprensa:
-
Opinião:
Paula Teixeira do blogue Viajar pela Leitura, visitem através do link: http://viajarpelaleitura.blogspot.pt/2013/04/contracorpo-patricia-reis.html 
Ao abrirmos o livro encontramos, uma citação de Marguerite Duras

“Sou a única a amar o meu filho, a compreendê-lo verdadeiramente, e mesmo através das cenas, dos gritos, continua a ser amor. Se eu morrer, ele será muito infeliz. Com ele, partilho a mesma loucura, a mesma violência, o mesmo amor”

in duras ou le poids d’une plume Lebelley, 1994.


Patrícia Reis não poderia ter escolhido melhor citação do que esta, porque mãe é isto tudo, é amor incondicional, é cenas, é alegria, é gritos, às vezes é tristeza, é paixão. Mas é sempre amor e amizade para com os seus filhos!

Contracorpo,  fala-nos das relações. Das relações que temos na nossa vida e da forma como lidamos com elas. Essa obra levou-me constantemente à reflexão. Não só pela história principal que nos mostra a relação entre mãe e filho (mais velho) como por todas as outras que compõem o livro e que também são elas muito importantes na nossa vida.

Maria perdeu o marido, tem dois filhos e uma vida pela frente. Vida esta que se complica sem o marido e com os filhos, um destes mais problemático do que o outro. Assim pensa Maria. Sim, assim pensa ela, porque quando somos mães qualquer coisa que se manifeste de forma diferente nos nossos filhos soa logo um alarme, como se de uma sirene se tratasse. Às vezes, esta sirene é ensurdecedora.

Por mais que tentemos tratar o suposto problema, parece que este aumenta. E aumenta em proporções gigantescas, que nos escapa e foge dos dedos erguendo-se assim uma barreira entre dois seres que se amam, entre dois mundos diferentes!
No entanto, um destes mundos – o da mãe – conhece e já passou pelo mundo do filho. A mãe já foi criança, adolescente e adulta. Ao filho, falta passar esta etapa - ser um adulto com a responsabilidade dos filhos. Então cabe à mãe saber lidar e arranjar a solução para quebrar a barreira que se ergueu entre eles! Tarefa que se revela, por vezes, bastante difícil. Mas não impossível, porque esta é uma palavra que muitas mães não têm no seu dicionário – “impossível”.

“Uma mãe nunca é o que se espera” porque se transforma se necessário em prol de si ou de alguém. “Um filho é sempre uma surpresa” porque às vezes não sabemos lidar com as surpresas e torna-se um desafio constante!

Adorei esta leitura!

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