Opinião: No Canto Mais Escuro de Elizabeth Haynes

19:30


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Opinião:
“No canto mais escuro”, trouxe-me à memória o livro “Antes de adormecer”, e levou-me a pensar que se tratava de um livro sobre violência doméstica, isto ainda antes de o ler, ou sequer olhar para a sinopse. Contudo, esta ideia conforme ia avançando na leitura, ia-se tornando mais óbvia em alguns momentos e noutros, começava a deixar de fazer sentido, afastando assim as minhas suspeitas.
Temos um típico ambiente Londrino, onde sentimos pouca comunicação e afecto entre personagens, digamos que um ambiente frio em todos os sentidos. Ruas escuras, uma vida diária que se inicia cedo e termina cedo, um ambiente de loucura e de excessos nas saídas nocturnas características dos ingleses, e etc etc, que vocês conseguem recriar certamente, para quem não esteve lá, consegue imaginar pelo que vê na net ou na tv… Gostei do pormenor de referir no enredo o bar Pitch and Piano, que já estive num, não sei se é este, mas se foi eu usei a minha mente para a partir daí começar a criar cenários possíveis algures por ali…
Cathy, é a nossa personagem central. Para mim, certamente ao contrário de muitos leitores, esta tornou-se por vezes uma personagem irritante levando-me mesmo a pensar que era ela que estava “maluquinha” pela forma como reage às situações, como se comporta, pelas atitudes que tem, e mesmo o facto de verificar sempre todas as aberturas de acesso ao seu “cantinho” (que é um excesso), levando a pensar que nada se passava a não ser na sua cabeça. Na verdade não era ela a maluquinha, mas a forma como foi criada e idealizada esta personagem levou-me a crer que não se passava de uma pessoa com perturbações mentais. Descoberta a verdade ficamos a pensar que em Cathy, existia de facto um sofrimento, mas que afinal poderia não ser tal como a autora descreve, pois acho que falta ali algo de mais forte para justificar as suas atitudes, pois em pleno séc XXI não vejo, apesar de existir certamente este tipo de situações, motivos para continuar a aceitar e a tolerar situações da forma que se desencadeiam nesta história. Cathy, foi aquela personagem criada para ser cega por alguém existindo ou não sofrimento, excessivo ou não, no fundo uma pessoa “dah” que não aparenta ser deste século. Por outro lado, está rodeada de pessoas vividas e cheias de vida, onde Cathy é a pobre coitada que fica ofuscada no seu grupo, mas que atrai a si devido à sua aparência, e talvez devido a ser um alvo frágil um homem daquele tipo. Bem, Cathy consegue deixar-nos revoltados a perguntar “como deixas-te que isto acontecesse” ao vermos o que ela sofre, como um prisioneiro de guerra.
O personagem masculino, é um pouco estranho, pelo menos não vejo que uma pessoa como ele no seu ramo profissional, no nível hierárquico que ocupa a ter tanta influência e poder como ele, ou então faltou dizer que ele era X ou Y e muito influente por algum feito seu no passado, o que não acontece. A amiga, com que terminamos a história, tendo sido uma personagem que transmitia muita vida e supostamente aparentava ser esperta, tem um momento que deixa a duvidar se realmente o seria. Cronologicamente falando, num relacionamento longo que a amiga tem com o personagem masculino, esta sofre menos e mais tarde do que Cathy, que pouco tempo após o relacionamento nascer, já padece e sofre de violência, apesar de não o notar.
O livro é bom, disso não hajam dúvidas que nos deixa a viver o seu conteúdo. É revoltante e deixa-nos a pensar “como?”, mas é um facto, deve existir alguém assim algures por aí, e se calhar bem mais do que se possa imaginar… Esqueci-me referir que o livro vai alternando entre o passado e o presente da acção e que por momentos me pedi, mas no final resulta bem esta estrutura. A autora podia ter aprofundado mais alguns pontos que, eu pessoalmente, gostava de os ter visto mais aprofundados, mas mesmo assim o resultado final do livro é muito bom.

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