Suma de Letras | Opinião - "Desaparecidos" de Caroline Eriksson

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mais informação acerca do livro neste link


Opinião:
Desaparecidos, é o livro de estreia de Caroline Eriksson, autora sueca e que considero que se estreou de uma forma genial, contrariamente aquilo que alguns leitores deixaram no Goodreads sobre o livro, lá por fora.


Greta, vai para a casa de férias junto ao lago Maran, com Alex e Smilla. Durante a estadia decidem dar um passeio em família e vão de barco até à pequena ilha que se encontra no lago Maran (o lago Maldito). Ali Greta decide aguardar no barco, e deixa que Alex e Smilla vão dar o seu passeio, admirando a excelente relação que ambos têm pai – filha. Até aqui tudo perfeito, mas quando Greta se apercebe que passou pelas brasas, acorda admirada por eles ainda não terem voltado, isto faz com que ela vá procura-los, mas sem sucesso. Assim volta da ilha, para casa e não há sinais deles. 
Numa busca incansável pela sua família, Greta vai-se esforçar imenso por os encontrar, até ela e nós, nos apercebermos verdadeiramente da realidade. 

Inicialmente comparei este livro com "A Casa Misteriosa" de Marzia Bisognin, porque tinha uma mulher, um gato, uma série de acontecimentos que não batiam certo, e já estava a pensar “Já conheço esta história. Ela morta, eles não a veêm, ela não encontra a luz, e já sabemos como termina”, mas felizmente acreditei na capacidade da autora e no seu conhecimento profissional, e decidi não parar de ler e rapidamente me apercebi de que me enganara completamente, o que me deixou bastante satisfeito. Foram poucas horas de leitura, divididas por 4 dias, mas que valeram muito a pena.
O livro está com uma linguagem muito simples e fluída, mesmo sendo forte em narrativa, tomei como sendo uma conversa que ele tem connosco. Através de capítulos curtos e uma construção muito inteligente e bem-feita, o livro vai mesmo deixar-nos bastante confusos e perdidos durante a sua leitura, uma vez que a autora insere de vez em quando detalhes e pontos de vista que não sabemos de quem, ou se são reais ou não, tal como Greta. Este acho que é o ponto chave do livro, a forma como Caroline nos deixa vestir a pele de Greta e sentir-nos perdidos no meio de tudo isto, sem saber se é ou não real. Tudo isto faz como que quando nos encontrarmos muito perto do final, nos apercebamos realmente daquilo que fomos lendo, segundo quem, e porquê. O sofrimento que ela tem, deixa um pouco de revolta, os momentos de pânico, deixam-nos aflitos, etc etc… Todos estes momentos ficam para os experienciarem.
Numa perspetiva de espaço, com facilidade recriei a ilha, a clareira, o lago, o cais, os barcos, todo um cenário com nevoeiro isolado no meio da floresta, num sítio calmo e até de mais; a nível temporal, por vezes não sabia ao certo a altura do dia em que me encontrava, mas quero acreditar que isso fazia parte da causa-efeito que a autora criou para nos deixar preocupados com Greta e o seu estado.
As personagens estão muito bem construídas. Greta, é uma mulher que traz uma nova vida na sua barriga e que se vai dando a conhecer ao longo do livro, transmitindo-nos os seus desejos, suas alegrias, os seus medos, a sua dor. Atormentada por um segredo passado, apenas partilhado com a sua mãe, onde a relação entre ambas é afetada pelo mesmo. Sempre lutadora e em busca da vida melhor, Greta, vai tentando ter uma vida normal até ao momento em que sente realmente sozinha e que precisa da sua mãe a seu lado.  Alex, uma personagem manipuladora e que nos deixa curiosos quanto a ele, é também frio e de mau carácter. Smilla, muito falada no livro, mas pouco se sabe dela além de ser um amor de criança. Outras personagens aparecem no livro, e todas elas são descritas de forma qb e que nos deixam a odiar ou adorar.

Nas relações que vamos encontrar ao longo do livro, ou dos momentos destas, vamos perceber que todas elas são ameaçadoras, que rebaixam as mulheres e humilham, fazendo-as viver em sofrimento, escondendo esse segredo, devido a ameaças e à forma como são manipuladas. Diria que a mensagem que a autora quer passar, é de que a Mulher para ser feliz não tem de se subjugar ou ser sofredora, deve sim focar no futuro, pois existe sempre um recomeço e uma esperança na vida. Esperança essa, que lhe dará as forças necessárias para acreditar e continuar a busca pela felicidade. 

Espero que a Suma de Letras \ Penguin Random House, siga esta escritora e que juntamente com Caroline Eriksson (que agora é seguidora atenta do blog e vai ler isto) nos traga novos thrillers psicológicos.
E aproveito também por agradecer a oportunidade de ter podido ler este livro antecipadamente à sua data de publicação em Portugal.

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