Topseller | Opinião - "Neve Cega" de Ragnar Jonasson


mais informação acerca do livro neste link

Opinião:
Em Maio, a Topseller, brindou-nos com a publicação de um novo autor no mercado nacional, mas também muito recente no seu percurso enquanto autor, mas de rápida ascensão e de sucesso promissor. Trata-se então do Islandês, Ragnar Jónasson, tradutor dos livros de Agatha Christie. Com isto, poderíamos já antever que com tanta inspiração, isto só podia correr bem. E está certo.


Neve Cega, é o primeiro volume da série Dark Iceland, onde nos é introduzido o Ari Thór o jovem polícia que inicia a sua carreia deslocado na Islândia, de Reiquiavique para o norte distante, Siglufjorour. Até agora, estão publicados 5 livros no total, dois em 2015, dois em 2016 e um já em 2017. Espero que a Topseller rapidamente publique os restantes quatro.

Pelo título, pensei tratar-se de um segredo escondido pela neve, um crime, um mistério de anos, e afins. Não que não fosse, porque esta neve esconde muito desta povoação, mas a meu ver o título Neve Cega refere-se ao facto deste desta cidade a norte, estar por vezes isolada e tornando-a invisível aos olhos dos outros durante os nevões e por detrás das montanhas. 

Ari Thór, é o nosso novo polícia, que perdera os pais ainda jovem e estivera a estudar num passado recente a estudar Teologia na universidade, mas por vários motivos e desmotivação acabou por fazer uma "possível" pausa nos seus estudos (pois não sei se volta a retomar os estudos ou não). Na capital islandesa, ele vive com a sua namorada, Krístin, que é estudante de medicina. Com uma relação estável, e na Islândia do ano 2009 a sentir na pele uma forte crise financeira, Ari Thór procura trabalho alistando-se na polícia. Sem grandes expectativas, é surpreendido por uma proposta que surge rapidamente vinda do norte frio e isolado, por parte de Tómas. Sem margem para pensar, é obrigado a dar uma resposta imediata e acaba por aceitar. Krístin fica sentida, e ele não consegue voltar atrás. Tudo começa a mudar na relação deles, desde então, e na vida de Ari Thór então é que é, quando se muda. O local para onde vai fica isolado em tempo de nevões, é frio e diferente do que ele estava habituado. A população é muito fechada e pouco receptiva a novas caras.  É um povo que viveu da pesca, e que sempre foi duro e lutador. Inicialmente sentimos que Ari Thór não é muito bem recebido pelos habitantes da pequena cidade, inclusive pelo seu chefe Tómas que parece ser alguém que encobre muita coisa, mas a pouco e pouco vamos deixando de sentir isso, pois começa a ser aceite pela população e os colegas da polícia pelas provas de confiança que lhes dá. Esta população acaba por ser envolvida na história, através de várias personagens, e acho que aqui o autor trabalhou muito bem a forma como nos introduz as várias personagens e como nos as apresentada, pois começamos desde cedo com suspeitas, com puzzles, com voltas à cabeça, julgando e tirando partidos.
Relativamente à escrita, podem esperar uma escrita cativante e simpática, não é nada que vos deixe saturados e sem vontade de avançar. No texto, fez-me confusão alguns nomes, por serem Islandeses, ao ponto de ficar baralhado com quem era o quê, mas isto é um problema meu, de certeza, pois eram muitos "...UR". Rapidamente vão ser absorvidos e entrar na trama, começando a identificar-se com as várias personagens, tendo os favoritos e os odiados. 
Falando apenas de Arí Thór, tive uma parte que o detestei e achei mesmo que ele poderia ser um dos suspeitos do crime, não dizendo que não o é. Arí Thór é inteligente, apesar de não o parecer, acheio-o muito calmo e perdido nas indecisões amorosas, contudo ele é persistente e curioso, e só assim acaba por desvendar um dos mistérios do livro, encontrando a verdade da mentira, e a mentira da verdade. Muito certo da sua desconfiança e da sua intuição, ele vai contra tudo e todos, e isto agradou-me imenso na personagem, porque quando chegamos ao tal ponto percebemos que já estava ali criado o esboço do assassino mas não nos apercebemos por ter sido relevado dissimuladamente.
Bem, para terminar, digo-vos que andei completamente perdido em relação ao assassino durante todo o livro, só mesmo no final quando é revelado caí na real, andei longe, confesso que sim. Acreditem que o vosso sentimento será o mesmo, e isto foi o que mais gostei no livro, a forma como Ragnar nos guia e usa a sua inspiração em Agatha Christie para nos deixar perdidos… mas acaba por nos deixar muita coisa em aberto, o que é ótimo, garante-nos como fãs ansiosos pelo seguinte livro
Durante a leitura fui pesquisando na net as imagens da "terrinha" e algumas coisas sobre a Islândia, e Siglufjörður, é o Siglufjörður da vida real.
imagem da Visit North Icelandhttp://www.northiceland.is/en/what-to-see-do/towns/siglufjordur

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