As Viagens de Gulliver descreve as quatro viagens de Lemuel Gulliver, um cirurgião naval. Em Lilliput, Gulliver descobre um mundo em miniatura; um gigante imponente sobre as pessoas e sua cidade, consegue observar a sociedade do ponto de vista de um deus humano e natural. No entanto, em Brobdingnag, a terra dos gigantes, o próprio Gulliver, minúsculo, torna-se alvo de observação, sendo exibido como uma curiosidade em mercados e feiras. Em Laputa, uma ilha voadora, ele encontra uma sociedade de especuladores e projetistas que perderam completamente o contacto com a realidade quotidiana; enquanto planeiam e fazem cálculos sobre o futuro e a administração das terras, o seu país jaz em ruínas. Finalmente, a última viagem de Gulliver leva-o à terra dos Houyhnhnms, cavalos dóceis que rapidamente passa a admirar - em contraste com os Yahoos, criaturas bestiais, imundas e por vezes aterradoras, que têm uma perturbadora semelhança com humanos.
Os seus encontros subsequentes com seres de dimensões tão diferentes proporcionam a Gulliver estranhas e amargas perceções sobre o comportamento humano. A sátira mordaz de Swift retrata a humanidade num distorcido labirinto de espelhos, como uma espécie diminuída, ampliada e, por fim, bestial, apresentando-nos um reflexo implacável de nós mesmos. É amplamente considerado um dos maiores satiristas da literatura em língua inglesa. «Aqui jaz o corpo de Jonathan Swift, doutor em Teologia e deão desta catedral, onde a colérica indignação não poderá mais dilacerar-lhe o coração. Segue, passante, e imita, se puderes, esse que se consumiu até ao limite pela causa da Liberdade.»
Epitáfio de Swift, escrito pelo próprio, na catedral de St. Patrick, Dublin. «As Viagens de Gulliver são escritas para dissipar a nossa cegueira, para nos curar das nossas ironias. Dado que cada um de nós vive, até certo ponto, a comédia da incompreensão, simpatizamos com Gulliver.»
Harold Bloom, Génio.