Na tarde do dia 25 de abril de 1974, nas margens de um rio, dois jovens que se encontram por acaso, fazem amor. Dessa relação fortuita e irrepetível nascerá Carolina, a desenhadora de rostos.
Uma mãe que encapava livros numa gráfica, um cheiro a cola sempre presente, uma inaceitação pelos colegas de escola devido ao seu estrabismo, e um talento natural, serão talvez a causa de Carolina revolucionar uma cidade com os seus desenhos de rostos na última página do jornal local.
Um homem, amante da sua mãe, com um passado de militante comunista, entra, de noite, na casa onde vivem as duas. Comem pevides e bebem cerveja pelas noites quentes de verão, falando do que vai acontecendo no pós-25 de abril.
Carolina questiona-se sobre si, sobre a sua sexualidade, sobre o facto de não saber quem é o seu pai, questionando a sua mãe. Depois de alguns rostos desenhados para a última página, há um que fendeu de alto a baixo a cidade aforradora e mesquinha onde vivia. Depois da publicação desse rosto, a cidade não mais seria a mesma.
Carolina, que uma noite foi obrigada a levantar-se da cama porque o rosto que acabara de desenhar lhe entrou na cabeça criticando-a pela imperfeição com que o desenhara, começava a ser atormentada por fantasmas e vozes talvez responsáveis pela sua genialidade, na opinião do editor do jornal, um galego de Puebla de Sanabria: eres um génio e una loca.