«... uma comédia do embaraço, uma sátira à terra das oportunidades e um retrato da emigração como a situação kafkiana por excelência...», The Guardian
«Então está livre?», perguntou ela. «Sim, estou livre», disse Karl e nada lhe pareceu mais inútil.
Escrito entre 1912 e 1914, O Desaparecido, de Franz Kafka, foi, em 1927, o último dos três romances publicados postumamente pelo seu amigo e testamenteiro Max Brod, então sob o título América. Agora traduzido por Álvaro Gonçalves diretamente da edição crítica da versão manuscrita do texto, que anula as alterações introduzidas por Brod, e recuperando o título que o autor usou quando a ele se referiu numa carta à noiva, Felice Bauer, aqui se relatam as deambulações de Karl Rossmann, rapaz de dezassete anos obrigado a emigrar da Europa para os Estados Unidos da América na sequência de um escândalo envolvendo uma criada. A falsidade, a traição, a violência e a subjugação rapidamente o acolhem na chegada a Nova Iorque. Resta-lhe o seu desaparecimento na vastidão da paisagem e no sistema opressivo e intangível que é o da própria existência. Deixada inacabada pelo autor, esta é, nas palavras de Kafka, uma «história projetada para o infinito».