"A Maçã no Escuro" de Clarice Lispector | Companhia das Letras


A Maçã no Escuro


Sobre livro:
«Era um lamento sem tristeza. O homem estava no coração do Brasil. E o silêncio fruía a si mesmo. Mas se a brandura era o modo como se ouvia a noite, para a noite a brandura era a sua própria aguda espada, e na brandura a noite toda estava contida.»

Dividido em três capítulos e girando em torno de três personagens — Martim, Vitória e Ermelinda —, este é um livro primorosamente construído em torno de mistérios, alegorias e ligações paradoxais.

Martim está em fuga de um crime que acredita ter cometido, e mergulha na noite, na selva, nas sombras, avançando entre o medo e o fascínio. As primas Vitória e Ermelinda vivem numa propriedade remota e silenciosa, e o seu quotidiano é sobressaltado pela chegada inesperada de Martim, que ali ficará a trabalhar. Um homem que encerra um enigma e cujo espírito é habitado pela escuridão. Um homem em busca de «saber qual é a ação de um homem». Num romance profundamente metafísico, Martim, alter ego de Clarice Lispector, parece estar sempre diante de uma quase-epifania: vive a sua vida como destino e encontra no instante antes da queda uma hipótese de salvação.

Sobre autor:
A 10 de dezembro de 1920, nasce Clarice Lispector, que viria a tornar-se figura maior da literatura do século XX. Recebe, ao nascer numa aldeia da Ucrânia, o nome «Haia», que em hebraico significa «vida». No contexto de guerra civil e das perseguições à comunidade judaica — os pogroms —, a família decide emigrar: em 1922, Clarice Lispector aporta no Nordeste do Brasil, acompanhada pelos pais e as duas irmãs. Mudam de nome, começam uma nova vida.
Em 1939, Clarice Lispector vai estudar Direito no Rio de Janeiro. No ano seguinte, começa a trabalhar como jornalista e publica, numa revista, o primeiro conto. Não mais para de escrever. Perto do coração selvagem

Imprensa:
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