Um romance inédito do grande Tabucchi.
A história de um rapaz irrequieto que, numa villa na costa toscana dos anos cinquenta, escreve cartas ao Capitão Nemo.
Uma mãe melancólica e distante, que ouve no gramofone a canção Amado mio; um pai fotografado com o braço eternamente estendido; um tio que colecciona bonecas; uma cave onde algo terrível aconteceu. E também uma Aprilia vermelha, um piano, um rato morto. E, por fim, Duccio, a quem chamam Cino, um rapazinho que descobre o lado mais abjecto da vida e tenta esconjurá-lo com os meios que tem. Por exemplo, escrevendo ao Capitão Nemo...
Eis os protagonistas deste romance breve e enigmático, ambientado numa villa na costa toscana, na véspera de um Ano Novo da década de 1950. Uma obra a que Tabucchi se dedicou por muitos anos, sem nunca a publicar, e que declarou até ter destruído.
Recuperado por entre os papéis guardados numa gaveta na casa do escritor, e pacientemente reconstruído por Thea Rimini, Cartas ao Capitão Nemo é, nas palavras do autor, «crónica de uma dissociação psíquica, metáfora da solidão ou radiografia de um futuro vingador». Um livro onírico e pleno de sugestões, além de um retrato muito eficaz da Itália do pós-guerra.