Num livro no qual a forma dita o sentir, duas vozes cruzam-se sem nunca se tocarem por inteiro. A (ela) e B (ele) habitam em lados opostos da mesma página — e da mesma escolha — num dueto de amor contido, ético e inacabado. Entre o que foi vivido e o que não pode ser, erguem-se responsabilidades, promessas e a consciência do dano possível. Ainda assim, persiste um magnetismo inevitável, quase científico, que os aproxima em ciclos de reencontro sempre adiados.
A métrica e a rima tornam-se espelho emocional: quando há proximidade, tudo flui com harmonia; quando há distância, o ritmo quebra, a respiração falha e o silêncio pesa. o quotidiano — objetos, gestos, lugares — transforma-se em território de memória e tensão, em que cada detalhe guarda o rasto de um quase.
Mais do que uma história sobre voltar, este é um livro sobre resistir: quantas vezes se pode quase ceder, quase amar, quase regressar, e ainda assim permanecer inteiro? Uma obra de poesia contemporânea que explora a intensidade com maturidade, na qual a ambiguidade não se resolve: permanece, ecoa e transforma.