Segundo livro em Portugal de Alexandre Vidal Porto, autor vencedor do Prémio Machado de Assis / Fundação Biblioteca Nacional com Sodomita.
Morto, perdido num limbo escuro e misterioso, Constantino já não está no presente e deixou de poder ambicionar um futuro. Olhando apenas para o passado, ficou finalmente livre para mergulhar nas memórias do limbo que foi também a sua existência — e para ser, talvez pela primeira vez, totalmente honesto. Em Cloro, é neste ponto que encontramos um homem que foi levado a acreditar desde criança que «ser bicha não era bom» e que, a partir desse momento, inventou uma personagem heterossexual para enfrentar o mundo, anular impulsos, construir uma carreira, casar, ter filhos e, acima de tudo, reprimir desejos. Até que uma tragédia familiar rompeu o frágil equilíbrio de uma realidade amputada, empurrando-o para uma vida dupla, mais complicada e cheia de sentimentos ambíguos, mas também mais plena e apaixonada, rumo ao embate final.
«Tornei-me parte de um exercício estético extremo, maior do que qualquer esteta necessitaria. Foi uma invenção, uma espécie de bonsai de mim mesmo. Virei um objeto de contemplação social. Tudo isso para ter segurança, para ter tranquilidade, para ser feliz.»