Mãe e filha estão em viagem pela Sicília. É um verão de ventos intensos, erupções vulcânicas, tempestades repentinas. Como se recomeça, quando se falhou o princípio?
As duas têm um plano: pouca bagagem — uma mala cinzenta e outra verde — e continuar em marcha até que cada coisa reencontre o seu lugar. É verão, a mãe divorciou-se, a filha adolescente está à procura de si. Os dias na ilha desfiam-se à sombra do Etna e por entre a música de mercados de peixe, sinos de igrejas, o piano de uma casa que não é a delas, vozes de mulheres que transmitem a memória como quem passa uma lamparina no escuro. A filha aguça a sua curiosidade por uma bisavó que trabalhou clandestina numa escavação arqueológica, antes de emigrar para as Américas. A mãe quer ocupar todos os lugares que imagina para si — o cuidado, a criação, o desejo —, e procura impossivelmente distender o tempo.
Das conversas entre mãe e filha, emerge a questão que inflama esta história: como se reinventa a vida? Princípio, Meio, Fim é uma escavação do tempo, é um percurso por origens familiares e míticas, é um vislumbre do futuro que junta para sempre netas e avós, escrita e memória.
Um romance cintilante, talvez perfeito, que compõe uma ode a essa força que dá sentido à nossa fugaz passagem pelo mundo: a imaginação.