Opinião - O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares de Ransom Riggs | Contraponto

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P.V.P.: 15,93 €
Data de Edição: 2012
Nº de Páginas: 344
Editora: Edições Contraponto

Sobre a obra:
Uma ilha misteriosa. Uma casa abandonada. Uma estranha coleção de fotografias peculiares.

Uma terrível tragédia familiar leva Jacob, um jovem de dezasseis anos, a uma ilha remota na costa do País de Gales, onde vai encontrar as ruínas do lar para crianças peculiares, criado pela senhora Peregrine.

Ao explorar os quartos e corredores abandonados, apercebe-se de que as crianças do lar eram mais do que apenas peculiares; podiam também ser perigosas. É possível que tenham sido mantidas enclausuradas numa ilha quase deserta por um bom motivo. E, por incrível que pareça, podem ainda estar viva as...

Um romance arrepiante, ilustrado com fantasmagóricas fotografias vintage, que fará as delícias de adultos, jovens e todos aqueles que apreciam o suspense.
Sobre autor:
Ransom Riggs cresceu na Florida, mas atualmente vive na terra das crianças peculiares - Los Angeles. Realizador de várias curta-metragens premiadas, os seus artigos e ensaios sobre viagens, Strange Geographies, podem ser lidos em
www.mentalfloss.com ou ransomriggs.com
Imprensa:
«Uma leitura original e deliciosa, pontuada por personagens bem construídas e alguns monstros muito assustadores. Um romance tão sombrio quanto entusiasmante.»
Publishers Weekly

«Um trabalho tão original que desafia qualquer categorização.»
Library Journal
Opinião:
Acompanhamos Jacob desde início, um adolescente ao estilo americano que com futuro garantido, se tenta desviar do mesmo. Abe Portman, avô de Jacob, passa a vida a contar ao neto histórias fantástico de uma infância que vivera num mundo único e maravilhoso, contudo esta é uma infância paralela a um acontecimento trágico, a Grande Guerra. Contudo, Abe foca-se sempre em contar ao neto as maravilhas vividas no orfanato de Alma Peregrine na ilha Cairholm, pertencente ao País de Gales. É lá que Abe vive com crianças fora do comum, digamos que bastante estranhas e raras. Ano após ano, Abe conta ao neto toda a magia em que viveu e toda a vida lhe deixa pistas, mesmo na hora da sua morte ele dá indicações ao neto para seguir as suas pistas e descobrir assim toda a sua história num vortex e numa visita à tal casa. De salientar que o seu avô não tem uma morte natural, mas antes pelo contrário, é vítima de ataques de monstros.
Ilusão ou não, o certo é que Jacob depois de tantos anos a ouvir as histórias fantásticas do seu avô, acaba por acreditar na sua “visão” que mais ninguém viu e sendo por isso julgado de sofrer da cabeça. Com isto, contra sua vontade começa a ser acompanhado por um psicólogo, mas será através deste a aventura inicia.

Por ter visto muito pouco este livro pela blogosfera (apenas encontrei em 3 blogues nacionais), em livrarias nunca o vi em destaque e está quase sempre escondido, e uma vez que foi a minha última compra de 2012 e a primeira a chegar em 2013,bem como primeira leitura, achei por bem deixar o meu comentário acerca do livro “O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares” que no estrangeiro se saiu muito bem e aqui, do meu ponto de vista considero que “passou ao lado de …”. Este livro chega-nos pelas mãos de um cineasta Ransom Riggs que viu numas fotografias “estranhas” que mais parecem fruto de lomografia a p&b, a capacidade de aliar a sua criatividade e dar um toque de génio, e presentear-nos com algo de quase muito bom, pintando páginas e páginas deste livro, intercaladas com as estranhas fotografias que acabam por nos ajudar a criar, apoiar e nos conduzir na sua narrativa.

Focando um pouco no livro, sou suspeito para o que vou dizer, mas nunca o consideraria um livro de terror, considero que quem pensa ou pensou em adquirir o livro , reconsiderou a mesma devido à sua classificação que se transforma numa barreira e acaba com a curiosidade de querer comprar, por julgar o mesmo como “bem será terror e não queria muito gastar dinheiro neste género, até porque não é bem disto que gosto e em vez deste poderei comprar outro que me cai melhor”. Imaginando e acreditando num “muito distante”, podemos dizer que terá uma passagem muito curta (algumas linhas) que deixa a pensar “ena afinal vem terror / horror daqui para a frente” mas… ficamos por aqui. O autor acaba por desenvolver a narrativa com escrita simples e estruturada com cenários bem descritos e personagens bem definidas (as que estão, sim… porque outras parecem flash que entram e desaparecem só para a fotografia mesmo). Por vezes a falta de algo, de conteúdo é mesmo evidente e nota-se que o autor recorre a zerinho para enchimento e nos desviar do caminho e assim omitir a falta desse algo a dizer. A partir de pouco antes do meio começa a entrar um clima de romance que desde cedo se consegue visualizar o seu desfecho. Tudo acaba por se tornar normal, mas nunca esquecendo de que de normal o espaço de acção, o tempo e as suas personagens não têm nada mesmo quando por breves momentos parece que fica algo perdido por entre as linhas.

Para mim, o que o autor criou como “seu mundo” é novo, ou pouco explorado, foca-se muito na perda do seu ente querido que parece uma tormenta para algumas personagens, elevando aqui os valores humanos. Devo reconhecer o seu trabalho e dar-lhe os parabéns por isso, contudo não me fascinou por completo a obra, apesar de me ter conseguiu prender bastante até meio do livro devido ao que parecia que se avizinhava e parecia prometer, mas acabou por se perder pouco a pouco o ritmo de leitura e o interesse que tinha quando tudo se apresenta de forma parado demais, como se a força que o autor tinha se desmoronasse e deixasse cair por terra todo o mistério e fantasia, que parece não controlar nem conseguir criar / desenvolver o que as fotografias lhe dizem, mesmo quando basta apenas aproveitar o que tem e dizer algo mais, mas não consegue e não atinge mais nenhum pico, nada de novo, nada que explique questões que ficam connosco até ao final e mais além.

Tive imensa pena ter ficado um pouco decepcionado com o livro porque tinha tudo para ser um livro “feliz”, ou seja, vingar como um excelente livro, mas de facto ficou pouco se ergueu.

Pelo que disse até aqui, podem pensar que o livro é péssimo ou mesmo mau, mas ele é sem dúvida uma boa leitura rápida que deve ser dada uma oportunidade não julgando pela capa, apenas foi infeliz porque ficou a faltar alguma coisa… ainda para mais quando se começa algo que promete assim tanto e depois não corresponde com aquilo que esperamos, perde-se o efeito especial, e eu sou assim.

Existe um luz no fundo do túnel que pode trazer as respostas em falta do primeiro livro, que para Portugal nem sei se vai ser lançado ou se está pensado sequer, mas ainda é cedo demais para pensar nisso, porque vi na página do autor que já se fala por lá na continuação deste título e que ele confirma que está a trabalhar nele com data de lançamento para 14 de Janeiro de 2014 e quem quiser já pode fazer a pré-compra na Amazon. Eu vou esperar pela versão Portuguesa e esperar que este segundo título seja mesmo a resposta às minhas perguntas.

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