«Quando este livro se abre, quebro uma promessa. Quando a fiz, que disparate, tinha a certeza de que a cumpriria. Enfim, não sei se é um disparate. Quando fazemos uma promessa, não devemos pelo menos acreditar nela? Naquele dia, há sete anos, gracejáramos sobre a questão de saber se estávamos libertos de uma palavra dada a partir do momento em que o outro não respeitava a sua. Eu defendia que sim, que era como um contrato, um casamento, um acordo, que o incumprimento de um anulava o compromisso do outro. Ele dizia que não, que o compromisso é connosco. "Uma promessa é uma promessa."»
O que se terá passado no relacionamento com o seu companheiro para que a romancista Claire Lancel tenha de estar a defender-se em tribunal? Ao longo do relato, ela própria contará como se deixou, pouco a pouco, arrastar para uma história de manipulações e mentiras, detalhando como uma promessa sagrada se transformou numa dinâmica destrutiva.
Neste romance eletrizante, a escritora francesa Camille Laurens, com a habilidade de uma romancista e ensaísta vencedora de múltiplos prémios, entre os quais o Femina, uma das grandes distinções gaulesas na literatura, questiona o narcisismo contemporâneo e a ausência de empatia; e pergunta-se como poderá o amor ficar a salvo das suas ilusões. Laurens convida-nos a celebrá-lo e a vivê-lo para além da desilusão das promessas.