Na pequena comunidade de Rauðasandur, situada no extremo norte da Islândia, em inícios do século XIX, todos falam sobre a discórdia que reina em Sjöund e os rumores de adultério entre os dois casais que habitam esta quinta isolada. Quando, logo depois do falecimento suspeito de Guðrún, mulher de Bjarni, sempre doente e queixosa, o mar devolve o corpo desfigurado de um homem, ninguém duvida tratar-se de Jón, o marido da enérgica e resoluta Steinunn. Esta e Bjarni são presos e conduzidos a julgamento, acusados de arquitectar a morte dos respectivos cônjuges. Todo o processo é relatado por Eyjólfur Kolbeinsson, o jovem e inexperiente vigário daquela remota paróquia, interiormente dividido entre a busca por uma verdade que satisfaça a justiça terrena, fria e intransigente, e o conforto espiritual dos seus paroquianos, cuja alma tormentosa é o reflexo da natureza envolvente, agreste e hostil.
Extraordinário romance de suspense sobre a culpa e a justiça, o arrependimento e a expiação, por muitos considerado o precursor do noir nórdico, Ave Negra, de Gunnar Gunnarsson, baseia-se em factos reais e retrata magistralmente a sociedade islandesa do século XIX, na qual todos acabam por ser vítimas e algozes.