Sobre livro:«Gaivotas em terra, tempestade no mar», diz o ditado. Mas e quando já só há gaivotas em terra? Mas e quando o mar deixa de alimentar asas e as tempestades parecem ter encontrado morada no continente?
Orlando Nepomuceno, jornalista desencantado, é enviado para cobrir um avistamento insólito de gaivotas na Covilhã, a cem quilómetros da costa. O que começa como uma notícia transforma-se numa travessia pela condição humana. Pelo caminho, encontra vidas marcadas pela deslocação: um ex-combatente que guarda cartas nunca enviadas, uma mulher que escreve para não perder a memória, um jovem migrante que sonha trazer a mãe.
À medida que as histórias se cruzam, nasce um espaço improvável no qual cada voz encontra eco e cada ausência ganha forma. As gaivotas tornam-se no reflexo de uma humanidade em trânsito, forçada a pousar onde nunca pensou viver. Este romance é o instante em que se bate as asas pela primeira vez. Um salto sem garantias, no decorrer do qual cair e voar se confundem. Nesse breve desequilíbrio, descobre-se que existir é, talvez, aprender a pousar sem deixar de partir.
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