Partidas, despedidas e regressos - a matéria da vida de Martim.
Conhecemo-lo ainda rapaz - em a noite da espera, primeiro volume da trilogia O Lugar Mais Sombrio -, a chegar a Brasília, a cidade de todas as novidades, num momento em que recomeçar parece possível, apesar da dor da separação da mãe. E vemo-lo, cinco anos depois, mais maduro, a abandonar a capital, e todos os sonhos e desilusões que ela abarcou, de regresso a São Paulo.
Vai em fuga, do cerco pesado da ditadura, da saudade da mãe, da relação opressiva com o pai, da ligação a Dinah, a mulher que o ensinou a amar. Impele-o o objetivo de estudar Arquitetura, e começar de novo.
Numa república de estudantes, cria novos laços, volta a experimentar o amor e vai forjando uma identidade à sombra de um país que ameaça esboroar-se a qualquer momento. Martim voltará a partir, para Paris, num ciclo que parece o de um eterno exílio.
Quantas vezes é possível recomeçar? Quantas partidas são necessárias para silenciar os fantasmas do passado?