"A Ilha e o Tempo" de João França | Imprensa Académica


A Ilha e o Tempo


Sobre livro:
A Ilha e o Tempo, de João França, foi publicada pela primeira vez em 1972. É um romance histórico, considerado uma das obras mais marcantes da literatura regional. O enredo recua às origens históricas do território, cruzando factos reais com elementos ficcionais para expor as profundas tensões sociais, políticas e económicas que moldaram a região ao longo de gerações.

O autor retrata de forma crua o quotidiano das elites e do povo, evocando os conflitos sociais, a escravatura, a presença da peste e a luta pela sobrevivência num meio marcado pelo isolamento geográfico e pela desigualdade. O romance desdobra-se em torno da família dos capitães-donatários e a temática da emancipação feminina ganha uma certa força.

A presente edição de A Ilha e o Tempo inscreve-se, assim, numa trajetória literária, que valoriza a memória coletiva da Madeira, os seus conflitos e as suas gentes. Ao reconstituir figuras, ainda que fictícias, práticas e paisagens da ilha, o escritor fixa um imaginário cultural e denuncia as tensões históricas e sociais que moldaram a vivência insular.

A reedição desta obra confirma a pertinência de se continuar a investigar a sua escrita, junto de públicos diversos, destacando o olhar crítico, sensível e comprometido de João França.

Sobre autor:
João França nasceu, em 1908, no Funchal e faleceu, em 1996, em Lisboa. Jornalista e escritor, deixa-nos um legado relevante no campo do património cultural e literário do século XX. Reconhecido pela sua produção romanesca e pelo seu contributo para o teatro, João França destaca-se, ainda, na poesia, na crónica e no trabalho que desenvolveu na Imprensa, quer na Madeira, quer em Portugal continental. Na ilha natal, trabalhou para vários jornais, tais como A Ilha, Comércio do Funchal e Re-nhau-nhau.
Em 1938, fixa residência em Lisboa. Na capital, começou por colaborar com o jornal A Noite e o Jornal da Tarde. Em 1944, começa a trabalhar no matutino O Século onde se afirmará como repórter internacional. Foi neste jornal que se cruzou com Aquilino Ribeiro, a quem solicitou o prefácio que acompanha o livro Ribeira Brava.

Imprensa:
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