Na casa da família na povoação caribenha de La Araira, oito irmãs vivem à sombra de uma mãe morta-viva, perante o abismo de uma linhagem em decadência. A morte inesperada do pai desequilibra as relações de poder na casa, que fecha as portas a todas as ameaças do mundo exterior. As mulheres passam a viver como pássaros engaiolados, medrosos e sedentos de vingança.
Quem nos narra a história é Nazarena, a sétima filha, que as irmãs consideram doida. Leva os dias a varrer obsessivamente o pátio da casa. Pensa assim poder afastar o azar. Mas a poeira que se levanta destapa todos os ressentimentos e violências do passado. Regressam os mortos, aparecem animais que pressagiam desastres, e o silêncio reinante, só interrompido pelos gritos das mulheres da casa, é uma ameaça densa.
É uma casa de família em La Araira. Mas nessa casa-prisão cabe um país, cabe um mundo, cabe o tempo todo.
Depois dos premiados Cai a noite em Caracas e O terceiro país, a escritora venezuelana Karina Sainz Borgo volta a reinventar-se e a surpreender, compondo uma saga familiar que ecoa a melhor tradição de Juan Rulfo, García Márquez, Faulkner e Lorca. Com um registo singular em que se mesclam realidade e alucinação, entrega-nos uma história inquietantemente contemporânea e universal, que destapa as feridas da existência.