Uma sala vazia com exceção da ténue luz bailarina. Se me dessem a escolher onde passar com a minha filha os anos que se estendiam diante de nós, eu quereria que fosse deitada de pernas e braços abertos exatamente no centro de uma sala assim.
É primavera. Uma jovem mulher, separada do marido, começa uma nova vida num apartamento em Tóquio com a filha de dois anos. A luz entra pelas janelas, salpica o parque em frente, brilha na água do terraço, nos candeeiros de rua, nos fogos de artifício. Com esta luminosidade vibrante alterna-se, no entanto, a escuridão, a instabilidade, o medo do erro, do que está por vir. Construído a partir de doze momentos que traçam o retrato do primeiro ano daquela separação, Território de Luz é um romance terno e inquietante sobre a maternidade, o desamparo social e o caminho de transformação de uma mulher fora da estrutura do casamento. Foi originalmente publicado por capítulos na revista literária Gunzo, no Japão, entre 1978 e 1979, marcando os meses em tempo real, e venceu a edição inaugural do importante prémio Noma New Face, sendo até hoje aclamado como um trabalho central na obra de Yuko Tsushima.