Companhia das Ilhas | "Há Rios Que Não Desaguam a Jusante" de Nuno Dempster

outubro 16, 2018

17,10 € | 488 pág


Sobre livro:
A narrativa inicia-se na Bélgica, em 1868, com a Revolução Industrial já avançada, e prossegue até aos dias de hoje, entre esse país e Portugal. Não sendo um romance histórico, vai buscar uma semipersonagem à História Belga do século XIX, o rei Leopoldo II. Dizemos semipersonagem porque entra no enredo como necessária ao assunto da narrativa, só participando na trama através de cartas, do poder exercido em seu nome por terceiros e com a influência do exemplo que dá, através da criação do Estado Independente do Congo, que não foi uma colónia belga, mas propriedade pessoal sua, com cerca do dobro da superfície da área de Angola. 

Aí, sem nunca ter lá ido, provocou os maiores desmandos com a exploração do marfim e da borracha e no amassar de uma fortuna imensa, à custa do genocídio de africanos congoleses, que autores estimam entre seis a dez milhões de pessoas. É ele a fonte do mal, que vai permanecer na sua única e ficcional descendência bastarda. o romance trata, pois, do mal enquanto indevido contravalor vida, quer através dele, quer do filho bastardo, quer do neto e da bisneta dessa mesma linha, cada um em sua geração, que, juntas, ocupam um tempo narrativo de cento e quarenta e seis anos.

A personagem mais central é o coronel Pierre Latour, já na terceira geração (1920-2014), militar antes e durante a independência do Congo ex-belga, mercenário na guerra de secessão do Catanga e no início da guerra colonial de Angola, solitário, herdeiro de fortuna incontável, dir-se-á tão multiplicada como o mal que continua desde o avô e do pai, general morto na invasão da Bélgica pelo III Reich e seu exemplo de vida. É Pierre Latour que passa a narrativa para Portugal, quer através do comando do grupo de mercenários que forma, por contrato, para proteger os europeus da Companhia de Diamantes de Angola, onde, ao ouro que levou do Catanga, junta uma fortuna ainda maior de pedras preciosas da Lunda, quer depois, quando se vê obrigado a aceitar asílo político em Portugal, com a cabeça a prémio, devido a uma carnificina total de insurgentes angolanos, praticada sob o seu comando e plano. 

Aqui irá viver doze anos, até pouco depois do 25 de Abril, altura em que se junta aos que então, fugiam de Portugal. Nesse entretempo, engravida uma camponesa de quinze anos cuja criança, depois do parto (1972), é batizada com o nome Carlota. O coronel faz desaparecer a mãe para longe, a ela e aos pais, através dos seus amigos do topo da PIDE. Chamando a si o direito à criança, que nunca reconhecerá como filha, nem ela saberá que é o seu pai senão depois de morto, entrega-a, anónimo e com o apoio do patriarcado, a uma ordem de freiras que, por troca de donativos mensais de origem oculta, a cria e educa até aos 21 anos, praticamente desde o nascimento até se formar em Farmácia. 

Pierre Latour acaba por ter de garantir, contra a sua vontade, a descendência através dessa criança, para ele bastarda e plebeia, depois de um noivado que ele manteve desde antes da independência do Congo até meio da sua estadia em Angola e que acabou devido a um suposto desastre de automóvel. Carlota, com a licenciatura feita e já a trabalhar, virá a revelar-se fria e cruel como uma aranha, com a destruição da vida do amante, e acaba por ser a herdeira de mãos de ferro necessária para que o mal continue o seu caminho. Em contraponto, surgem personagens que, de uma maneira ou de outra, representam o bem que, na vida, se opõe activamente ao mal, mas são poucas, como sucede na realidade.

Sobre autor:
Nuno Dempster (Ponta Delgada, 1944)
Livros publicados: Uma paisagem na Web (poesia, & etc, 2013), Elegias de Cronos (poesia, Artefacto Edições, 2012), Pedro e Inês: Dolce Stil Nuovo (poesia, Edições Sempre-em-Pé, 2011), K3 (poema, & etc, 2011), Uma flor de chuva (poesia, Escola Portuguesa de Moçambique, Maputo, 2011), Londres (poema, & etc, 2010), Dispersão – Poesia reunida (Edições Sempre-em-Pé, 2008).

Imprensa:
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