«Da minha mãe, só tenho duas fotografias a preto-e-branco. […] Escrevo este livro para que a minha mãe se torne real.»
Mais de cinquenta anos depois de ter sido misteriosamente abandonada, Maria Grazia Calandrone parte em busca do seu passado. Percorre os lugares onde a mãe viveu, recolhe testemunhos, mergulha em arquivos, analisa fotografias, cartas, objetos. Reconstrói, assim, a vida de uma mulher ostracizada por se ter apaixonado por um homem a quem não estava destinada, numa época que condenou ambos à morte mais trágica. Lucia foi uma rapariga pobre, mas indomável, sem estudos, mas decidida, rejeitada pela família, mas amorosamente dedicada. Antes de morrer, cuidou para que a sua filha tivesse outra sorte. Como foi?
Narrativa de rara beleza, Escrito com Sangue na Água é uma viagem a águas fundas: à condição indigna das mulheres do povo, às feridas do pós-guerra, aos dogmas do catolicismo e aos restos do fascismo, mas também ao território da paixão, da resistência, da memória e do amor materno. Uma viagem tão íntima quanto política, que revela uma história que primeiro se tornou notícia de jornal e, depois, literatura.