Com o rigor de um historiador e o talento de um contador de histórias, Barbero revela a complexa, multifacetada e, por vezes, contraditória história de Francisco, o santo que todos julgamos conhecer.
As primeiras biografias de Francisco foram escritas por frades que o conheceram de perto. Poderíamos acreditar tratar-se de biografias fiáveis. Mas não é bem assim: autores e leitores não gostavam de recordar que Francisco era um homem cheio de dificuldades e contradições, que tinha experimentado desilusões e derrotas; queriam um santo perfeito em todos os sentidos, livre de dúvidas e amargura e, em última análise, semelhante a Cristo. Esta necessidade de um santo acima de todas as suspeitas levou a que 40 anos após a sua morte, a Ordem Franciscana mandasse destruir todas as biografias existentes e substituí-las por uma «definitiva», a Legenda Maior, escrita por S. Boaventura.
Os livros sobre a vida do santo foram retirados das bibliotecas e dados como desaparecidos. Só séculos mais tarde começaram a ressurgir do esquecimento graças a descobertas fortuitas, revelando um Francisco muito diferente, não o santo sempre alegre que falava com os pássaros, retratado nos frescos de Giotto em Assis, o santo que domesticava lobos, o precursor do ambientalismo moderno, que conversava amigavelmente com os muçulmanos, o precursor do pacifismo e do ecumenismo.
O Francisco que emerge das suas memórias é um homem atormentado e austero, capaz tanto de gestos gentis como de uma inesperada aspereza. Mas, acima de tudo, não contam a história de apenas um Francisco, porque cada um se lembrava dele à sua maneira. Quem foi realmente este homem extraordinário? Este é o livro que fala desse homem desconhecido.