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(Autora de Descansos)
Em 1971, numa aldeia esquecida, Margarida cresce no casarão da colina rodeada por uma felicidade postiça. Há o piano de Elvira, os salões antigos cheios de livros, a presença de Jaime, filho da casa, e os dias longos de uma infância que parece ainda protegida. Mas longe da delicadeza dos gestos e da ordem dos dias, a brutalidade repete-se, aceite como uma fatalidade doméstica. Margarida é empurrada para fora daquela beleza encenada e aprende cedo que crescer é ser expulso da própria infância.
Décadas mais tarde, viúva e mãe de dois filhos, procura equilibrar-se entre três empregos e a luta diária pela sobrevivência. Mas quando um novo ato de violência ameaça destruir aquilo que mais ama, é obrigada a regressar ao lugar exato que decidira abandonar no passado. Proteger a filha poderá exigir-lhe o impensável.
Cruzando duas histórias de violência atravessadas pela mesma protagonista, Susana Amaro Velho constrói uma narrativa de tensão crescente, onde a estrutura e o jogo de perspetivas desafiam continuamente o leitor, confirmando a sua singularidade na forma como desmonta o rumo dos acontecimentos.
Sou uma Multidão Minúscula é um romance profundamente humano sobre aquilo que herdamos sem escolha, o que tentamos esconder, e a forma como a violência atravessa gerações. Afirma-se como um tributo à memória das mulheres silenciadas pelo abuso.
Sobre autor:Susana Amaro Velho nasceu em Mafra em março de 1986. Estudou Jornalismo e Solicitadoria e trabalha atualmente como freelancer na área da comunicação.
Publicou o seu primeiro romance em 2017. Em 2022, foi a primeira autora portuguesa a integrar a chancela Aurora, com Inquieta, onde também viria a reeditar Bairro das Cruzes. Participou no projeto coletivo O Sono Delas e, em 2024, publicou Descansos, distinguido pela revista NiT como Melhor Livro do Ano.
Vive numa aldeia, entre o sossego e o caos feliz de uma casa com três filhos pequenos. As Últimas Linhas Destas Mãos, o seu romance de
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