Num estilo brilhante, que oscila entre a delicadeza e a brutalidade, um livro que mostra como, no fundo, nunca conhecemos inteiramente a vida dos que nos são próximos.
Quando In-ju, uma pintora que viveu sempre a sua arte de forma intensa e poderosa, morre num acidente de automóvel, a sua melhor amiga, Lee Jeong-hee, recusa-se a acreditar no que afirma um crítico de arte que dela escreverá uma biografia: que a artista, afinal, se suicidou. Jeong-hee embarca então numa investigação obsessiva que a levará a descobrir aspetos desconhecidos de uma vida marcada pela fragilidade e pelo desamparo. Mas a procura da verdade, tantas vezes perigosa, obrigá-la-á a revisitar também a sua própria história, a remexer em velhas feridas e a enfrentar a vertigem provocada pelo simples mistério da existência.
Os sonhos e as memórias, a pintura e a astrofísica, a poesia e o suspense, são alguns dos elementos que compõem este thriller singular e fascinante que a vencedora do Prémio Nobel escreveu a seguir ao romance que lhe traria projeção internacional.
Em Tinta e Sangue, Han Kang aprofunda questões que perpassam a Vegetariana e toda a sua obra e, uma vez mais, aponta caminhos possíveis mesmo em personagens visivelmente atormentadas: devemos sobreviver para dar testemunho da verdade através das nossas próprias vidas.