O romance mais famoso de Stendhal, A Cartuxa de Parma, conjuga eventos históricos reais com uma Itália desenhada tanto pela sua fantasia como pelo rigor de um pintor realista. Desde a infância no castelo da família, nas margens do Lago de Como, até aos campos de batalha de Waterloo, Fabrizio demonstra ser simultaneamente obstinado e ingénuo. Depois da batalha, quando regressa ferido a Itália, o jovem começa a recuperar e a envolver-se em aventuras amorosas destinadas ao fracasso ou assentes em poeira. De Waterloo a Parma, Stendhal retrata as aventuras do jovem Fabrizio del Dongo, um herói romântico preso na teia da história e aprisionado pelo seu amor por Clélia Conti, o que o leva a refugiar-se num mosteiro, a Cartuxa de Parma, onde acaba por morrer, consumido por um terrível remorso. Esta história dramática, na qual quase todas as personagens perecem após um fim trágico, é também uma obra política, que critica tanto a sociedade francesa quanto a política italiana da época.
A perspicácia psicológica de Stendhal destaca-se, testando a coragem das suas personagens como até aí não tinha ocorrido na literatura francesa. Considerado pelos leitores contemporâneos como um dos maiores romances franceses do seu tempo, A Cartuxa de Parma está repleto de feitos militares, intrigas na corte e um romance que encerra tanto a excitação da juventude como as duras realidades que testam a felicidade e o desejo a cada instante.
É o retrato de uma Europa dividida entre os valores da Revolução Francesa e os do Antigo Regime.