Sobre livro:«O coração retira-se de todas as coisas», mas Andreia C. Faria constrói histórias com os sedimentos do músculo mais plástico de todos: sonhos que assombram noites, e também alguns dias; gestos mecânicos feitos por quem trabalha e que lembram como são brutas as metáforas; um amor juvenil que sugere, como num jogo, a violência do sexo e a difícil intimidade; a visita a museus onde se descobrem afinal enganos do olhar e uma perpétua perturbação; o saque de memórias da terra, da infância, da pobreza; o desejo de regresso ao ventre materno, antídoto para certos ódios e certos amores; oráculos da carne e do espírito, que pouco consolam; uma juventude de longos cabelos e raparigas em flor; Tróia e outras guerras, outras perdas.
Aposto tudo numa elegância ferida revela-nos Andreia C. Faria como artífice de uma prosa sem paralelo na literatura portuguesa, que dá forma a um imaginário poético cru, lúgubre e melancólico, tão luminoso como a mais depurada educação sentimental. Há livros que se cosem ao tecido do mundo, e há livros que, como este, tecem o corpo do mundo.
Sobre autor:(Conteúdo indisponível.)
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