Esta é uma história de separação, mas não é uma história de mulheres que choram pelos cantos da casa ou de homens que redundam em clichês. Elvira Vigna, escritora avessa ao linear e categórico, constrói uma trama de infidelidades e jogos de poder, e um mapa das deslocações de uma mulher que procura — geograficamente, intimamente — o lugar de si, na sua solidão, no seu vazio, naquilo que apenas a ela pertence. Esta mulher chama-se Valderez. Os homens à sua volta são Paulo, com quem partilha a cama, e Pedro, com quem partilha Molly, a mãe. Molly, e a sua história de menina do interior abusada pelo patrão, será o foco de uma viagem ao passado. Paulo, amante de Valderez, será loucura e dispersão.
Por escrito debruça-se sobre corpos que se encontram em camas de lugares diferentes, de uma fazenda ao Rio de Janeiro, de Paris a São Paulo: por vezes, debruça-se como alguém que olha o mundo a partir de um varandim; outras vezes, como alguém que se lança num túnel sem luz. Um romance atravessado pelo sexo e pela memória, como duas faces de uma única moeda.