«O rosto pálido, de uma doce severidade, enquadrado por anéis de cabelo de um alourado quente de mel, o nariz direito, a boca graciosa, a expressão de gravidade adorável e quase divina, lembravam o momento mais nobre da escultura grega e, apesar da perfeição acabada da forma, os traços eram de um encanto tão pessoal, tão único, que o observador não se lembrava de ter encontrado, quer na natureza, quer na arte, obra-prima tão conseguida.»
Num romance que, nas palavras de Thomas Mann, trata da «paixão como desequilíbrio e degradação», Gustav von Aschenbach, escritor erudito e respeitável, é acometido por um insondável e turbulento impulso e viaja para Veneza à procura de uma trégua da angústia criativa que o aflige. É no átrio do seu hotel no Lido que observa pela primeira vez Tadzio, um rapaz excecionalmente belo que ali está hospedado com a família.
À medida que os seus dias começam a girar sobre um centro agora ocupado pelo rapaz, o espanto dará lugar à obsessão, num conflito silencioso entre ânsia e desejo, beleza e morte - e a busca por plenitude espiritual que o levou a Veneza transformar-se-á, afinal, na ruína do escritor.
Irremediavelmente fascinado, Aschenbach ver-se-á preso a esta cidade hipnótica, num momento em que a mesma sucumbe a uma epidemia de cólera que ele, cego pela sua fixação, não verá chegar.