Depois de uma temporada em Edimburgo para concluir os estudos em Belas-Artes, John-Calum Macleod regressa à terra natal, Falabay, na ilha de Harris. Chega sem dinheiro e com uma vocação artística a que não sabe dar préstimo, e descobre que pouco mudou, exceto ele. Na pequena quinta que o viu crescer, Cal dividirá a atenção entre os dois pilares que sustentaram a sua infância: o pai, John, criador de ovelhas, tecelão e bastião da igreja presbiteriana local, e a avó, Ella, que há anos mantém uma frágil paz com o genro, depois de a filha ter partido para refazer a vida.
A contragosto, retoma a rotina de antes: os dias passados a rondar os rebanhos, as noites sentado ao tear, a aprender de cores e de lãs. Percorrendo as encostas ventosas da ilha, Cal pergunta-se se haverá por ali homens solitários que o ajudem a preencher o marasmo dos dias, ao passo que o pai se questiona sobre os novos modos do filho, que regressou da cidade com o cabelo longo e pintado. São tão um do outro e, no entanto, conhecem-se tão pouco. à medida que as estações se sucedem no calendário, os fios que unem a pequena comunidade ameaçam quebrar-se.
Douglas Stuart, vencedor do Booker Prize com Shuggie Bain e finalista do Dublin Literary Prize com Um lugar para Mungo, confirma-se neste romance como uma das vozes mais auspiciosas da literatura anglófona, urdindo uma narrativa comovente sobre o conflito entre dever e desejo, amor e liberdade, e os efeitos corrosivos de viver uma existência secreta.